Ex-liderança do PCC e do Comando Vermelho é presa nos EUA após perseguição policial e cárcere privado

Felipe Linares De Oliveira Dell Aquilla, o Don — Foto: Divulgação
Felipe Linares De Oliveira Dell Aquilla, o Don — Foto: Divulgação

INTERNACIONAL / SEGURANÇA PÚBLICA

Felipe Linares, conhecido como ‘Don’, era alvo de difusão vermelha da Interpol a pedido do Brasil; captura ocorreu na Carolina do Norte enquanto o suspeito mantinha a esposa como refém.

Teresópolis, 16 de junho de 2026 — O Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) confirmou a prisão do cidadão brasileiro Felipe Linares De Oliveira Dell Aquilla, apontado como ex-chefe das duas maiores facções criminosas do Brasil: o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV). A captura ocorreu na cidade de Mooresville, no estado da Carolina do Norte, após uma perseguição automobilística de alta velocidade.

Conhecido no submundo do crime como “Don”, o investigado possuía um mandado de prisão internacional em aberto (difusão vermelha da Interpol), expedido pela Justiça brasileira sob as acusações de extorsão e associação criminosa. No momento da abordagem, as autoridades americanas constataram que Linares mantinha a própria esposa como refém no interior do veículo.

Perseguição e Captura na Rota para o México

De acordo com o comunicado oficial emitido pelo ICE, “Don” tentava cruzar as fronteiras americanas em direção ao México quando foi interceptado em um bloqueio de tráfego rotineiro na Carolina do Norte. Ao receber a ordem de parada, o suspeito iniciou uma fuga que terminou em um acidente automobilístico na região de Mooresville.

Após o cerco e a contenção do veículo, a mulher do suspeito foi resgatada sem ferimentos graves. No interior do automóvel, os agentes federais americanos apreenderam:

  • Armamento de fogo;
  • Grande quantidade de dinheiro em espécie;
  • Dispositivos de telefonia celular utilizados para comunicação logística.

Linares foi detido e responderá tanto pelos crimes cometidos em solo americano quanto pelo processo de extradição para o Brasil.

Contexto Diplomático: A Classificação de Facções como Organizações Terroristas

A prisão de uma liderança com trânsito entre o PCC e o CV ocorre em um momento de sensibilidade diplomática entre Brasília e Washington. Poucas semanas antes da captura, o governo dos Estados Unidos designou formalmente as duas facções brasileiras como organizações terroristas, uma medida que contraria o entendimento jurídico do governo brasileiro.

A divergência sobre o enquadramento dessas organizações vem se arrastando desde o ano passado:

  • A Pressão de Washington: O Departamento de Sanções dos Estados Unidos já havia solicitado formalmente que o Brasil acompanhasse a classificação americana e carimbasse as facções como grupos terroristas, visando o bloqueio internacional de ativos financeiros.
  • A Resposta Técnica do Brasil: O Ministério da Justiça brasileiro, por meio da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), recusou a equiparação. O argumento técnico é que as facções operam sob a lógica do crime organizado transnacional e do tráfico de drogas, não se enquadrando na tipificação estrita da Lei Antiterrorismo brasileira (Lei nº 13.260/2016), que exige motivações de xenofobia, preconceito racial, étnico ou religioso para a caracterização do delito de terrorismo.

Com a prisão de Felipe Linares, as autoridades dos dois países devem iniciar os trâmites de cooperação jurídica internacional para definir o destino do custodiado.

Fonte: Jornal O Mirante de Teresópolis e France Presse

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