A voz das comunidades e a fiscalização dos direitos do cidadão
Representação protocolada pelo ex-deputado Nilton Salomão e pela Associação de Moradores do Jardim Salaco aponta rachaduras em casas, poeira sufocante e proximidade irregular com o Parque Montanhas.
Teresópolis, 29 de junho de 2026 — Moradores de pelo menos cinco bairros de Teresópolis; Córrego do Príncipe, Cascata do Imbuí, Posse, Granja Florestal e Jardim Salaco, uniram forças em um manifesto público contra os severos impactos causados pela operação de um depósito de resíduos de obras, conhecido popularmente como “bota-fora”, na Região Serrana. A insatisfação popular culminou em uma denúncia formal protocolada junto ao Ministério Público (MP) para investigar a legalidade da licença ambiental e estrutural do espaço.
A representação no MP foi feita pelo ex-deputado Nilton Salomão, em conjunto com a Associação de Moradores do Jardim Salaco, após uma série de vistorias e relatos alarmantes colhidos diretamente com as famílias impactadas.
Assista ao vídeo:
Impacto Viário, Casas Rachadas e Alerta de Saúde Pública
Durante as manifestações, que contaram com palavras de ordem como “O povo unido, jamais será vencido!”, moradores relataram o drama diário que enfrentam desde o início das operações de descarte. As principais reclamações incluem:
- Danos Estruturais: O intenso tráfego de caminhões pesados em vias sem estrutura adequada tem gerado trepidações contínuas, provocando rachaduras visíveis em diversas residências da localidade.
- Saúde e Educação: A passagem constante dos veículos levanta nuvens de poeira que, segundo denúncias, já afetam a rotina de uma escola local devido ao excesso de barulho e têm causado problemas respiratórios em crianças e idosos da região.
- Destruição da Malha Viária: Ruas que dão acesso às comunidades estão sofrendo com afundamento de pista e deterioração acelerada do asfalto.
“A questão ambiental, seja a proteção da natureza, seja a qualidade de vida das pessoas, deve ser sempre o motivo de nossa preocupação. Estão sendo jogados resíduos de obras em uma área que, supostamente, é de proteção ambiental. Será que há um crime ambiental que não foi identificado na hora da aprovação desse bota-fora?”, questionou Nilton Salomão durante o protocolo da ação no Ministério Público.
O Paradoxo Ambiental: Vizinho do Parque Montanhas
Um dos pontos mais sensíveis e contraditórios apontados pelos manifestantes e por especialistas em preservação é a localização do depósito de resíduos. O bota-fora tornou-se “vizinho” imediato do Parque Municipal Montanhas de Teresópolis, uma das principais unidades de conservação integral da biodiversidade local.
Para a comunidade, a instalação de um centro de descarte de entulho colado a uma reserva ecológica fere as leis de zoneamento e conservação da natureza, gerando um contraste direto com a proposta de turismo sustentável e preservação ambiental defendida pelo município.
O Posicionamento da Prefeitura
Procurada para esclarecer os critérios de aprovação do projeto, a Prefeitura de Teresópolis informou que o objetivo inicial da iniciativa era oferecer uma alternativa legal, regulamentada e sustentável para o descarte de resíduos da construção civil, um gargalo antigo do setor no município.
O Poder Executivo garantiu que qualquer descarte que ocorra fora das normas técnicas ou de forma irregular será severamente punido. No entanto, diante da representação ao Ministério Público, caberá agora aos órgãos de fiscalização estaduais e municipais auditar se as regras de licenciamento ambiental foram estritamente cumpridas ou se houve precipitação na liberação das atividades no Córrego do Príncipe.
O jornal O Mirante de Teresópolis continuará acompanhando de perto os desdobramentos da investigação do Ministério Público e as vistorias técnicas nas casas afetadas.