O contrato de concessão da Águas da Imperatriz em Teresópolis virou alvo de uma contundente denúncia que expõe o silêncio e a inércia da classe política local. Em um vídeo publicado nas redes sociais, Azra e o deputado estadual Pedro Duarte revelaram os bastidores de como o serviço deveria ser fiscalizado e apontaram para onde está indo o dinheiro arrecadado dos contribuintes teresopolitanos.
Enquanto o prefeito, os deputados estaduais da região e os vereadores — que criticavam ferozmente o contrato na gestão passada — mantêm um silêncio absoluto sobre os problemas atuais, a população amarga as consequências da falta de controle: ruas esburacadas, asfalto de péssima qualidade, trânsito infernal e obras espalhadas por toda a cidade sem qualquer planejamento.
Assista ao vídeo:
Agenersa Loteada: Arrecadação Milionária e Apenas 9 Visitas
Diante das cobranças da população, a grande pergunta que surge é: quem fiscaliza a concessionária? Sem capacidade técnica e nem estrutura financeira para gerenciar o contrato por conta própria, o município de Teresópolis firmou um convênio com a Agenersa (Agência Reguladora de Energia e Saneamento Básico do Estado do Rio de Janeiro).
No entanto, a agência que deveria atuar como a principal xerife do contrato é acusada de omissão por motivos políticos. De acordo com a denúncia, o ex-governador e deputados estaduais lotearam politicamente a Agenersa, enchendo o órgão de apadrinhados. O esquema custa caro para o bolso do cidadão: 0,5% de todas as contas de água pagas em Teresópolis são direcionadas obrigatoriamente para a agência reguladora para financiar a fiscalização nas ruas — o que, na prática, não acontece.
Para arrancar dados dessa caixa-preta, foi protocolado um pedido via Lei de Acesso à Informação (LAI) questionando os valores recebidos, a frequência das vistorias e as punições aplicadas. A resposta oficial do órgão escancarou o abandono:
- Omissão de dados: A agência se recusou a responder sobre os valores exatos que arrecadou de Teresópolis e escondeu se alguma multa foi aplicada à concessionária.
- Fiscalização de fachada: No ano de 2025 inteiro, os fiscais da Agenersa realizaram apenas 9 fiscalizações no município. Mesmo com visitas tão escassas, eles conseguiram registrar 30 irregularidades, mas até hoje não há clareza se houve qualquer tipo de punição ou sanção financeira à Águas da Imperatriz.
A Comissão Fantasma da Prefeitura e o “Asfalto Mequetrefe”
O escândalo da falta de fiscalização também respinga diretamente no Palácio Baltazar da Silveira e na Câmara Municipal. O Artigo 25 do contrato de concessão prevê explicitamente que a Prefeitura deve manter ativa a Comissão Especial Multidisciplinar de Fiscalização da Concessão de Serviços Públicos de Água e Esgoto.
Embora o nome seja pomposo, a entrega prática é inexistente. A comissão municipal está de braços cruzados enquanto a empresa descumpre cláusulas contratuais rígidas. O documento prevê, por exemplo, que a recomposição das ruas destruídas pelas obras deve seguir critérios rigorosos, utilizando revestimento em concreto asfáltico usinado a quente (CBUQ). A realidade que o teresopolitano enfrenta diariamente, contudo, é um asfalto completamente desnivelado e remendos mal-feitos.
Enquanto isso, os vereadores de Teresópolis continuam “jogando para a galera”, discursando nas redes sociais, mas sem realizar uma cobrança sequer em sessão plenária para exigir o funcionamento e as atas de vistoria dessa comissão especial.
Canal Aberto de Denúncias
Azra e Pedro Duarte garantiram que, com o suporte de suas equipes técnicas, continuarão travando o processo de fiscalização e acionando os órgãos de controle. Eles abriram um canal direto de ouvidoria com a população de Teresópolis para centralizar as reclamações de asfalto destruído e falta de abastecimento por meio do número de WhatsApp (21) 97220-5528, prometendo transformar cada relato dos internautas em uma nova representação legal contra a concessionária.
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