A medida foi celebrada publicamente por Azra El Akbar, ativista político e pré-candidato a vereador pelo Partido Novo para as eleições municipais. O processo em questão tomou como alvo a polêmica legislação local que ficou conhecida nos bastidores políticos como a “Lei dos 20 andares”.
Uma decisão judicial histórica promete congelar as tentativas de flexibilização vertical na construção civil de Teresópolis sem o devido amparo legal. O juiz titular Dr. Carlo Basílico deferiu uma medida liminar que proíbe expressamente o Poder Executivo Municipal de autorizar ou fundamentar novos atos administrativos baseados no aumento do gabarito de edificações acima dos limites rigidamente estabelecidos pelo Plano Diretor da cidade.

Fórum da Comarca de Teresópolis
Vitória Política e Precedente Jurídico
Embora a Câmara Municipal de Teresópolis tenha revogado recentemente o texto da lei, a concessão da liminar foi classificada por Azra como uma vitória estrutural para o município. O despacho do magistrado cria um precedente jurídico crucial de proteção ao ordenamento urbano.
“A justiça tarda, mas não falha. Embora a decisão tenha perdido parte do seu objeto, já que a Câmara revogou a lei, ela representa uma vitória relevante. Cria um precedente e proíbe expressamente a prática de novos atos administrativos fundamentados no aumento do gabarito”, destacou Azra El Akbar.
Com o novo entendimento da Justiça, caso a prefeitura pretenda realizar futuras alterações na altura permitida para os prédios do município, a gestão pública será obrigada a cumprir integralmente os ritos formais e constitucionais. Isso inclui a adequação obrigatória ao Plano Diretor e, fundamentalmente, a convocação prévia de audiências públicas para submeter a proposta ao crivo da população.
Origem da Denúncia e Articulação com o Rio
A ação judicial que resultou na liminar foi proposta em janeiro deste ano através de uma articulação regional. Azra El Akbar revelou que o processo foi encabeçado pelo advogado Pedro Duarte, vereador e presidente da Comissão de Assuntos Urbanos da capital fluminense.
A iniciativa jurídica foi motivada pelo fato de que a lei contestada havia recebido apoio massivo no legislativo teresopolitano, tendo sido aprovada por unanimidade pelos vereadores locais presentes à época — incluindo o voto favorável da vereadora Professora Amanda. Diante do cenário de consenso na Câmara de Teresópolis, coube a Azra e a centenas de moradores da cidade formalizarem a denúncia diretamente ao gabinete de Duarte.
Desdobramentos com o Ministério Público
Os efeitos do movimento comunitário e técnico já vinham gerando impactos nas esferas de controle. A partir da provocação liderada por Pedro Duarte, o Ministério Público (MP) interveio no caso de forma preventiva. O órgão emitiu uma recomendação expressa direcionada ao conglomerado da construtora interessada, determinando que a empresa se abstivesse de protocolar qualquer pedido de licenciamento imobiliário baseado na antiga Lei 35i (atualmente revogada).
Questionado pela população sobre o intervalo de seis meses entre o protocolo da ação em janeiro e a decisão atual, Azra El Akbar fez questão de blindar a atuação do Poder Judiciário e teceu fortes elogios à condução do magistrado responsável pelo caso:
“Fica aqui registrado todo o meu respeito e admiração pelo Dr. Carlo Basílico, juiz que profere suas decisões com técnica ímpar. Não à toa, elas não são reformadas pelo Tribunal”, concluiu o pré-candidato, reforçando o compromisso de fiscalização contínua das diretrizes urbanísticas de Teresópolis.