POLÍTICA E CIDADANIA
Pronunciamento de solidariedade à vereadora Professora Amanda (Republicanos) após desentendimento com o vereador Dr. Amorim (União Brasil) expõe a forte polarização ideológica no município.
Teresópolis — A rotina legislativa na Câmara Municipal de Teresópolis voltou a repercutir intensamente nas redes sociais e nos bastidores políticos da cidade nas últimas semanas. O estopim foi uma denúncia pública de violência política de gênero envolvendo os parlamentares Professora Amanda (Republicanos) e Dr. Amorim (União Brasil).
O caso ganhou visibilidade após Carolina Quintana, professora, coordenadora do Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação (SEPE) e presidente do diretório do PT em Teresópolis, gravar um vídeo manifestando repúdio às declarações proferidas por Dr. Amorim em plenário. De acordo com a denúncia, o parlamentar teria usado palavras agressivas e violentas contra a vereadora enquanto ela exercia o seu papel constitucional de fiscalização do Poder Executivo.
“Nós, mulheres na política, somos vítimas de violência política de gênero, com apagamentos do nosso trabalho e invisibilidade. Quando atinge uma mulher, atinge a todas. Não podemos nos calar”, declarou Carol Quintana em sua manifestação na rede oficial do PT no município.
A própria vereadora Professora Amanda utilizou os canais digitais para agradecer as mensagens de apoio enviadas pela população e por lideranças civis.
O Perfil da Parlamentar
Eleita nas eleições municipais com 943 votos pelo partido Republicanos, a Professora Amanda (Amanda Albuquerque) possui uma trajetória consolidada no serviço público de Teresópolis. Com mais de 26 anos de experiência na rede municipal de ensino, ela é pedagoga, advogada, historiadora e atualmente cursa mestrado em Sustentabilidade pela UFRRJ.
Na Câmara, além de pautar seu mandato em torno da educação e da fiscalização do orçamento, ela atua diretamente como Presidente da Procuradoria da Mulher, o que deu ainda mais peso institucional às discussões sobre o ocorrido.
Repercussão Popular nas Redes Sociais Reflete Polarização
O episódio e o vídeo de solidariedade publicado pela liderança petista desencadearam centenas de comentários nas plataformas digitais, expondo o cenário de forte divisão ideológica que molda o debate público em Teresópolis. O teor das reações dividiu-se nitidamente em três frentes:
1. Defesa da Parlamentar e Repúdio ao Machismo
Diversos munícipes saíram em defesa da integridade e da atuação da Professora Amanda, classificando a postura do vereador Dr. Amorim como inaceitável.
- “Teresópolis tem uma política vergonhosa. Tem que denunciar essa misoginia”, escreveu a internauta Jaqueline Franse.
- “A Professora Amanda é uma das poucas naquela casa que fala com clareza e lê com fluidez. Esse senhor provavelmente a desacatou com agressividade porque é incapaz de articular suas palavras com razoabilidade”, opinou o perfil identificado como cmsphilo.
2. Rejeição Ideológica
Por outro lado, o fato de a denúncia e o apoio terem sido capitaneados por uma dirigente do Partido dos Trabalhadores (PT) atraiu críticas de eleitores alinhados à direita conservadora, que focaram seus comentários em questões semânticas e partidárias.
- “Com esse discurso barato de presidenta, tô fora”, comentou Creuza Nancy.
- “‘Presidenta’. Só podia ser do PT. Falou tem que ouvir”, ironizou Carlos Cogliatti.
3. Ceticismo Político
Houve também espaço para moradores que demonstraram cansaço com o clima de embate contínuo na política local. “Que discurso antigo e repetitivo”, criticou o perfil da Oficina Paes Artesanais, enquanto outro usuário resumiu o embate como “inutilidade pública”.
Até o fechamento desta edição, o vereador Dr. Amorim não havia publicado um posicionamento oficial detalhado em suas redes sobre o ocorrido nas galerias do Palácio Baltazar da Silveira. O espaço do jornal O Mirante de Teresópolis segue aberto para que ambos os parlamentares apresentem suas respectivas manifestações sobre o episódio.
Fonte: Jornal O Mirante de Teresópolis