Uma nova e contundente operação realizada pelas forças de segurança no estado do Rio de Janeiro colocou novamente o parlamento fluminense no centro de graves investigações sobre o avanço do narcotráfico na política. Conduzida pelo gabinete do Procurador-Geral de Justiça, Antonio José Campos Moreira, em uma ação conjunta com a Polícia Civil, a ofensiva cumpriu 14 mandados de busca e apreensão autorizados pelo Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro.
Os alvos principais das medidas são três agentes públicos sob forte suspeita de ligação estreita com a facção criminosa Terceiro Comando Puro (TCP):
- O deputado estadual Val Ceasa;
- O ex-vereador da Câmara Municipal do Rio de Janeiro, Ulisses de Almeida Marins;
- O ex-assessor parlamentar Michael Johnny Vianna de Azevedo.
O Estopim: Blindagem ao “Resort do Peixão”
De acordo com as informações oficiais divulgadas pelo chefe do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), a investigação que culminou na operação de hoje teve início a partir de uma interferência direta e ostensiva do deputado estadual e do então vereador na administração pública. O objetivo da dupla era impedir e obstaculizar a demolição de imóveis irregulares controlados pela facção.
Essas estruturas de alto padrão, apelidadas de “resorts do Peixão”, eram utilizadas rotineiramente pela cúpula do Terceiro Comando Puro na Região Metropolitana. A ação dos políticos para proteger o patrimônio da facção acendeu o alerta do setor de inteligência do Ministério Público, que passou a rastrear as conexões financeiras e logísticas do grupo.
Arsenal, Computadores e Centenas de Milhares em Espécie
A operação resultou em um vasto balanço de apreensões nos endereços ligados aos investigados. Os agentes localizaram e apreenderam:
- Inúmeras armas de fogo de diversos calibres;
- Aproximadamente R$ 320 mil a R$ 340 mil em espécie (dinheiro vivo);
- Aparelhos telefônicos celulares e diversos equipamentos informáticos.
O Procurador-Geral Antonio José Campos Moreira explicou que a próxima fase da força-tarefa consistirá em uma minuciosa etapa técnica. Os dados constantes nos aparelhos eletrônicos apreendidos serão integralmente extraídos e examinados pelo corpo de peritos, com o intuito de detalhar o nível de participação e o papel exato do parlamentar e do ex-parlamentar na estrutura do TCP.
Alerj Loteada: TCP de um lado, Comando Vermelho do outro
O avanço das investigações gerou um duro e legítimo desabafo institucional por parte do Procurador-Geral de Justiça, que classificou o momento atual como uma degradação pública e generalizada do ambiente político do estado. O Ministério Público manifestou extrema preocupação com o fato de que as duas maiores facções de tráfico de drogas do Rio de Janeiro conseguiram fincar raízes e representações diretas dentro da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj).
Campos Moreira relembrou que, há poucos meses, o órgão denunciou e conseguiu a prisão preventiva de um outro deputado estadual que era reconhecidamente membro do Comando Vermelho (CV). Esse parlamentar já registrava uma condenação anterior a 14 anos de reclusão por lavagem de capitais antes de assumir a cadeira e — de forma alarmante — integrava a própria Comissão de Segurança Pública da Alerj.
“Esse parlamentar envolvido com o Comando Vermelho e agora esse outro parlamentar, objeto dessa nova investigação, supostamente envolvido com o Terceiro Comando Puro. Esse quadro é extremamente preocupante porque a preservação do Estado Democrático de Direito, a preservação da democracia exige instituições fortes. E não se pode aceitar que o parlamento seja ocupado por figuras dessa estirpe”, disparou o chefe do Ministério Público.
O caso segue sob segredo de Justiça para a análise do material digital e a cobrança por punições rigorosas promete sacudir as estruturas do Palácio Tiradentes.