O paradoxo bilionário: Como a FIFA dita as leis de países operando como ‘Associação de Bairro’

FIFA

Publicado em: 29/06/2026 às 23h10

Por: Fernando Miranda | Coluna Estratégia e Negócios – O Mirante de Teresópolis

Afinal de contas, a FIFA é uma empresa privada ou um ente do governo? Este é o paradoxo bilionário que sustenta a maior organização esportiva do planeta. No papel, a entidade máxima do futebol possui o mesmo status jurídico de uma associação de moradores. Na prática, porém, ela tem o poder de fazer nações inteiras reescreverem suas próprias leis.

Fundada em Zurique, a FIFA está registrada sob o artigo 60 do Código Civil Suíço — a mesma gaveta jurídica utilizada por clubes de bairro. Por não ser oficialmente uma empresa, ela é considerada uma entidade “sem fins lucrativos” e praticamente não paga impostos, mesmo movimentando quantias astronômicas.

Assista ao vídeo da análise:

Lucro corporativo sob a fachada de “Sem Fins Lucrativos”

Apesar da blindagem fiscal, os números da organização contradizem a sua natureza jurídica. A FIFA opera como uma máquina de fazer dinheiro:

  • Vende direitos de transmissão para mais de 200 territórios.
  • Acumula bilhões de dólares em patrocínios de marcas globais como Adidas, Coca-Cola e Visa.
  • Paga ao seu próprio presidente um salário anual de 6 milhões de dólares (mais de R$ 30 milhões).

Toda essa engrenagem bilionária funciona sem que a federação precise fabricar um único produto, gerenciar um clube de futebol ou sequer pisar em campo.

O ‘Plot Twist’ que desafia a soberania das nações

O verdadeiro poder da FIFA não está no futebol, mas no controle do ativo mais escasso do mundo contemporâneo: a atenção. Ao deter o direito exclusivo do evento que para o planeta por um mês, ela consegue subjugar governos.

Um exemplo histórico e emblemático foi a aprovação da Lei Geral da Copa no Brasil. Na época, para que o evento acontecesse no país, o Congresso Nacional precisou ceder às pressões da entidade. A legislação aprovada:

  1. Isentou a FIFA de qualquer tributação em solo nacional.
  2. Transferiu todo o custo de operação para o Estado brasileiro.
  3. Responsabilizou o governo por eventuais prejuízos ligados às operações da federação.

Na ocasião, figuras políticas como o ex-jogador e então deputado Romário subiram à tribuna para denunciar a violação da soberania nacional, afirmando que uma entidade estrangeira não poderia mandar no país. Mesmo com os protestos, a lei passou sob a ameaça velada de que a Copa do Mundo mudaria de sede.

O PODER DA “ASSOCIAÇÃO”

| • Mais países associados que a própria ONU.
| • Negocia de igual para igual com chefes de Estado.
| • Previsão de faturamento (2023-2026): US$ 13 bilhões.
| • Faturamento estimado da atual Copa: US$ 7 bilhões.

Estado sem território ou superempresa?

A FIFA hoje assemelha-se a um Estado soberano que não possui território, exército ou cidadãos, mas que dita regras globais de cumprimento obrigatório. No ciclo atual (2023 a 2026), a receita estimada da entidade ultrapassa os 13 bilhões de dólares. Somente a receita de TV representa mais de US$ 3 bilhões, enquanto os patrocinadores injetam outros US$ 2 bilhões.

A genialidade da estratégia consiste em vender o direito de existir dentro do evento mais valioso do planeta.

Diante desse cenário, fica o questionamento para o leitor de O Mirante: A FIFA é uma empresa disfarçada que aprendeu a negociar como governo, ou um ente governamental que lucra como a maior das multinacionais? Deixe sua opinião nos comentários.

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