Com investimento de R$ 360 milhões, primeira ETE de Teresópolis entra em fase final de obras na Cascata do Imbuí

Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) de Teresópolis
Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) de Teresópolis

Infraestrutura, Meio Ambiente e Fiscalização Urbana

Apesar de impasses com moradores e denúncias na Alerj no início do projeto, complexo que beneficiará 135 mil pessoas mantém cronograma e tem operação prevista para janeiro de 2027.

Teresópolis, 29 de junho de 2026 — Teresópolis avança na execução do maior projeto de infraestrutura sanitária de sua história recente. Iniciada em abril de 2025, a construção da primeira Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) do município entrou em sua reta final de execução no bairro Cascata do Imbuí. Conduzida pela concessionária Águas da Imperatriz, do Grupo Águas do Brasil, a unidade tem previsão de início de operação para janeiro de 2027 e visa preencher uma lacuna histórica na cidade, que atualmente não conta com sistema de esgotamento sanitário.

O empreendimento ocupa uma área de 9 mil metros quadrados localizada estrategicamente entre as ruas Henrique Claussen e Léo Vitor, nas proximidades da Estrada José Gomes da Costa Júnior — ponto onde o córrego Antônio José deságua no Rio Paquequer, manancial que receberá o efluente tratado em seu trecho final urbano.

Tecnologia Holandesa contra Odores e Ruídos

O pacote de investimentos da concessão, orçado em cerca de R$ 360 milhões, engloba não apenas a planta de tratamento, mas também a implantação de mais de 250 quilômetros de redes coletoras e 60 unidades elevatórias por todo o município.

Para mitigar o impacto na vizinhança da Cascata do Imbuí, a concessionária equipou a planta com uma moderna tecnologia de origem holandesa. O sistema promete alta eficiência na purificação dos resíduos com uma capacidade de processamento de 300 litros de esgoto por segundo (superior a 25 milhões de litros por dia), operando sem a emissão de odores ou ruídos característicos de estações convencionais.

A meta contratual estabelece que, até o ano de 2028, pelo menos 50% da área urbana de Teresópolis já esteja plenamente atendida com serviços de coleta e tratamento de esgoto, impactando diretamente na redução de doenças de veiculação hídrica e aliviando a demanda na rede de saúde pública local.

O Impasse Político e Comunitário nos Bastidores

A consolidação da ETE no local, contudo, não ocorreu sem controvérsias. Em maio de 2025, logo após o início das primeiras etapas de terraplanagem e retirada da vegetação, o projeto virou alvo de contestação política regional.

Assista ao vídeo do deputado estadual, Júlio Rocha:

O deputado estadual Júlio Rocha, atuando como membro da Comissão de Saneamento da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), ecoou reclamações de moradores da localidade em um vídeo de denúncia. À época, o parlamentar criticou a proximidade da instalação das residências vizinhas, alegando falta de diálogo com a comunidade e riscos à qualidade de vida do bairro. Rocha chegou a afirmar publicamente que articularia junto aos órgãos competentes a transferência da construção para uma área mais isolada da zona urbana.

Entretanto, decorrido pouco mais de um ano desde os protestos e o embate na Alerj, as frentes de engenharia civil mantiveram-se ativas no mesmo loteamento. O avanço das obras estruturais consolidou a permanência da ETE na Cascata do Imbuí, sob a justificativa técnica de que o ponto é ideal para a engenharia de gravidade do fluxo de resíduos que margeia o Rio Paquequer.

Com os prédios operacionais praticamente concluídos, o foco da concessionária se volta agora para os testes eletromecânicos dos maquinários que começarão a mudar os indicadores ambientais de Teresópolis a partir do próximo semestre.

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