Esquerda e Direita em Teresópolis: Ideologia real ou apenas teatro político?

Os partidos políticos que governam os estados do Brasil e como é em Teresópolis?
Os partidos políticos que governam os estados do Brasil e como é em Teresópolis?

OPINIÃO – Vitor Arcanjo

Por trás dos discursos polarizados, a dança das cadeiras nas nominatas locais revela que o pragmatismo e a estratégia eleitoral falam muito mais alto na nossa cidade.

Teresópolis, junho de 2026 — Se você acompanha as redes sociais ou as conversas nas esquinas da Várzea, certamente já ouviu o debate: “A esquerda arruinou Teresópolis” ou, do outro lado, “A direita teve a sua chance com a gestão do PL de Vinicius Claussen e nem por isso transformou nossa cidade na Suíça”. Mas a grande verdade que precisamos encarar, olhando friamente para a nossa realidade, é uma só: a polarização ideológica em Teresópolis não passa de uma grande utopia. Um teatro para inglês ver.

Quando olhamos para a composição da nossa Câmara Municipal, o cenário parece, à primeira vista, majoritariamente pintado de azul e verde-amarelo. A direita domina as bancadas com folga. Temos o PL (com Paulinho Nogueira, Calé e Sandrinho), o União Brasil (com Fidel, Doutor Amorim e Cacau Repórter — além de ser o partido do atual prefeito), o PRTB (Bruninho, Márcia Valentim e João Miguel), a Democracia Cristã (Pastor Luciano e Dudu do Resgate), o PP (André do Gás e Rangel) e o Republicanos (Maurício Lopes e Professora Amanda). Isso sem contar as siglas menores que garantiram uma cadeira isolada.

Do lado que se convencionou chamar de esquerda, a representação é mínima: Diego Barbosa pelo Solidariedade, Totó Online pelo PMB (vaga que era de Érica Marra) e Fabinho Filé pelo PDT.

Mas será que esses rótulos se sustentam quando a engrenagem partidária começa a girar? A resposta é um sonoro não.

A lógica das nominatas e o pragmatismo do “Game”

Na política paroquial, o “game” (jogo) não é sobre salvar o mundo ou defender teses filosóficas de Karl Marx ou Adam Smith. O jogo é pura estratégia de sobrevivência e poder. O objetivo final é um só: o que eu preciso fazer para sentar naquela cadeira da Câmara?

É aí que a ideologia cai por terra. Para conseguir legenda e alcançar o quociente eleitoral, os políticos locais buscam partidos que tenham verba de fundo partidário e, acima de tudo, nominatas fortes. Se um candidato tem um pensamento progressista ou de esquerda, mas percebe que o PL tem uma nominata robusta e com chances reais de eleger três vereadores, ele não hesita: engole o orgulho e se filia à direita. O inverso acontece exatamente da mesma forma. O amigo montou um grupo forte em um partido teoricamente de esquerda? O candidato de direita migra para lá sem peso na consciência.

Quem tentar votar em Teresópolis baseando-se estritamente na sigla partidária ou na dualidade “esquerda versus direita” vai dançar. Os partidos viraram meros veículos de conveniência eleitoral.

Pensar racionalmente: O que Teresópolis realmente precisa?

Enquanto a população se desgasta em brigas ideológicas importadas de Brasília, Teresópolis continua enfrentando problemas estruturais imensos e graves que exigem soluções imediatas. O verdadeiro combate começa na escolha consciente dos nomes que enviamos para o Legislativo e para o Executivo.

Precisamos abandonar a paixão cega por partidos e adotar o voto racional. Diante de um candidato, o eleitor teresopolitano deve se perguntar:

  • Quais são as propostas reais e concretas deste candidato?
  • Quais bandeiras ele realmente defende no dia a dia, longe do palanque da internet?
  • O que este político está fazendo, de forma prática, pela nossa saúde, pelo desenvolvimento social, pela cultura e pelo nosso interior?

O pragmatismo político que vemos nos bastidores nos obriga a ser igualmente pragmáticos nas urnas. O foco deve ser a eficiência e o compromisso com o município, e não a cor da bandeira partidária. Afinal, diante dos desafios que a nossa cidade enfrenta, vivemos um cenário tão complexo e peculiar que, como diz o ditado popular local, aquilo que nem Freud explica, Tereza tenta. É hora de o eleitor teresopolitano começar a entender o jogo para poder mudar o placar.

Fonte: Jornal O Mirante de Teresópolis

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Compartilhe este artigo completo

© ™ 2026 Jornal O Mirante de Teresópolis Sistema de Comunicação News of Brazil – SCNB – CNPJ: 19.184.971.0001/67

Teresópolis, Capital Nacional do Montanhismo e a Casa da Seleção Brasileira. Transformando a notícia em um produto de boutique. Foco e Qualidade. Em vez de opinião braulhenta, fatos explicados.